BIOGRAFIA

ADRIANO DE SOUSA LOPES
Pintor-poeta e dos efeitos de luz, oficial artista na Grande Guerra, retratista e compositor de ritmos musicais da cor

Nasce a 13 de fevereiro de 1879, em Vidigal, Pousos, concelho de Leiria. Inicia os estudos artísticos em Lisboa, em 1895, e parte para Paris como bolseiro, em 1903, terminando o pensionato, em 1910, com uma pintura de grandes dimensões, inspirada num poema de Luís de Camões. Frequenta a École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts com Fernand Cormon e encanta-se com as pinturas de autores impressionistas, assim como admira a obra de John Sargent.

Interessa-se por assuntos históricos, religiosos e mitológicos, elogia os “mestres da luz”, Besnard e Monet e é amigo do escultor vanguardista Pablo Gargallo, seu companheiro em Paris. Inicia um circuito pela Europa, em 1906, determinado a conhecer Museus e a registar os elementos fugitivos da luz, em cada cidade, Sevilha, Nápoles, Roma, Florença, Bolonha, Parma, Veneza, Milão e Basileia.

Prossegue as viagens de formação por Bruges, em 1909, e em 1912 viaja pela Bélgica na companhia de Columbano. Realiza a segunda versão da pintura Ondinas, baseada no poema de Heinrich Heine e expõe-na no salão des Artistes Français, em 1910. Neste ano, regressa a Portugal e visita Afonso Lopes Vieira, na Nazaré, com quem manteve sempre uma amizade fraterna, cumplicidades artísticas e dimensões poéticas, determinantes no percurso do pintor.

O ano de 1917 foi marcante no seu percurso artístico. Exibe 265 obras na sua primeira exposição individual, na Sociedade Nacional de Belas Artes, e, meses depois, apresenta-se como voluntário, oficial-artista, na frente de batalha da Grande Guerra. Revela uma produção febril que reflete emotivamente o sentido dramático das batalhas, em desenho, pintura e gravura, numa experiência única que denuncia o sofrimento como forma heróica de enfrentar a guerra. A partir de 1920 regressa à pintura de efeitos de luz, tanto em paisagens marítimas como na “serena paz” dos seus campos, e, em 1929, é nomeado diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Morre em 1944, a 21 de abril, vítima de ataque cardíaco, sem terminar grandes pinturas decorativas, a fresco, na Assembleia da República, após o estudo desta técnica em Itália.

Maria de Aires Silveira

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