Adriano de Sousa Lopes, pintor nascido em Leiria, em 1879, teve um percurso que o  levou a diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea e ao exercício de cargos institucionais de relevo. Com obra amplamente reconhecida, está representado em vários museus nacionais.

O Município de Leiria, através do Museu de Leiria, que integra dezasseis obras de Sousa Lopes, pretende dar a conhecer o percurso deste artista excecional. Este acervo foi objeto de intervenção de conservação e restauro, incluindo quer as gravuras sobre papel, quer a pintura de cavalete,  permitindo hoje o seu usufruto mais pleno.

Na exposição Adriano de Sousa Lopes (1879-1944), o pintor-poeta,  na qual se exibem mais de uma centena de obras de Sousa Lopes, de distintas procedências, apresenta-se o autor, ligado a Leiria e a um universo poético, descoberto com o seu amigo, o poeta Afonso Lopes Vieira. Sousa Lopes interessou-se pelos apontamentos fotográficos do Grupo de Fotografia Moderna, fundado por Lopes Vieira, desafiando o olhar do pintor para a importância do registo de efeitos de luz. Desenvolveu temáticas relacionadas com o simbolismo de fim de século e, sob a linha influente de seu professor, Veloso Salgado, um interesse pelas narrativas históricas e pelo imaginário camoniano.

Com o escritor Aquilino Ribeiro, o pintor Columbano Bordalo Pinheiro, ou o colecionador Carlos Ahrends, construiu um conjunto de ligações e cumplicidades sempre afetuosas, que estendeu depois a artistas da região, como o escultor Joaquim Correia.

Sousa Lopes valorizava a arte moderna e os autores impressionistas pela sinceridade da emoção e espontaneidade. Ao mesmo tempo, explorava a luz envolvente e a singularidade das paisagens portuguesas, modernizando os registos naturalistas de pintura ao ar livre. Destaca-se o trabalho realizado na frente de batalha, em 1917-18, como oficial-artista, captando de forma inédita o esforço português, perante o drama, a tragédia, o desespero da guerra, mas eliminando o sentido épico e de endeusamento do herói.  Mais tarde, retratou a dureza do trabalho no mar, especialmente no registo da arte xávega, e o labor árduo do quotidiano na serenidade dos campos.

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